Você sabe o que é uma Initial Public Offering (IPO)?

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Initial Public Offering (IPO)

Olá Poupadores, devido a pandemia do coronavírus, muitos bancos centrais estão emitindo mais dinheiro com o intuito de manter as economias aquecidas. Todo esse excesso de dinheiro torna o terreno fértil para a busca de investimentos mais arriscados que possam trazer mais retornos, por isso vemos tantas empresas buscando abrir capital na bolsa de valores.

Esse processo de abertura de capital é conhecido através da sigla IPO (do inglês, “Initial Public Offering”). E ao realizar o processo de abertura de capital a empresa pode realizar uma oferta primária ou secundária.

Na oferta primária, a empresa capta dinheiro ampliando o número de ações, diluindo a participação dos donos do negócio. Imagine uma empresa avaliada em R$ 10 milhões, tendo 1 milhão de ações, cada uma custando R$ 10. A empresa vem para ofertar mais 100 mil ações, capitando mais R$ 1 milhão de novos investidores (100 mil ações x 10 reais por ação). Assim, o negócio passaria a ter 1,1 milhão de ações (1 milhão + 100 mil novas ações). Se antes o(s) dono(s) tinha 100% das ações, agora terão 90,90% (10 das 11 milhões disponíveis), enquanto que os demais investidores detêm os outros 9,10% ou 1 milhão de ações. Todo o dinheiro captado através das novas ações vai para o bolso da empresa, normalmente para expansão dos negócios.

Já na oferta secundária, NÃO são emitidas novas ações, são vendidas as ações existentes dos donos do negócio. Imaginando o mesmo caso, digamos que o atual dono quer vender 10% do negócio, ele venderá 1 milhão de ações e ficará com 9 milhões. Todo o dinheiro arrecadado vai para o bolso do detentor das ações, não fica com a empresa.

Além dessas duas, a oferta para abrir capital pode ser uma mistura das duas, isto é, uma parte primária e outra secundária. Inclusive, normalmente esse é o tipo mais comum. Esse modelo permite tanto à empresa captar dinheiro quanto aos atuais acionistas realizarem lucros vendendo posições parciais ou integrais no negócio.

Agora que você já sabe o que é um IPO, é importante também saber que esse é um investimento mais arriscado do que investir em alguma empresa já listada na bolsa de valores.

É mais arriscado pela assimetria de informações, enquanto uma empresa listada há anos já possui um grande histórico, a empresa que está prestes a ser listada tem o histórico limitado, normalmente dos últimos três anos, conferido através do documento do prospecto da oferta.

Além disso, existe uma outra assimetria de informações, os donos possuem muito mais informações para barganhar um preço do que os novos acionistas. As chances de precificarem o negócio de forma favorável a eles é maior, principalmente se a oferta for inteiramente ou em sua maior parte secundária.

Apesar de tudo isso, na minha visão não devemos demonizar os IPO, cada caso é único. Particularmente, acho muito positivo quando a oferta é exclusivamente primária, pois mostra que o dono está captando dinheiro para expansão do negócio. Foi, por exemplo, o caso da Hapvida, o qual participei do IPO e consegui realizar lucro de mais de 150% dentro de 2 anos.

Por isso, é importante olhar os IPOs sempre com cautela, garimpando os bons negócios. Tendo cuidado com o tipo da oferta, o modelo de negócio e se a destinação dos recursos captados faz sentido.  

Tá de olho em algum IPO? Já investiu em algum e se deu bem? Comenta aqui em baixo.

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